História

História do
Karatê-Do Shotokai

Origens, Transmissão e Evolução Técnica


As Raízes do Karatê-Do Moderno

Século XIX – As Origens em Okinawa

A arte do Karatê tem raízes profundas em Okinawa, desenvolvida sob influência do Kenpo chinês e conhecida originalmente como Tōde (“mão da China”).

Século XX – Introdução e Primeiros Desenvolvimentos no Japão

O professor Funakoshi Gichin foi responsável por introduzir e adaptar esse conhecimento ao Japão continental a partir de 1922, com apoio do Ministério da Educação e de Jigoro Kano (fundador do Judô). Seu primeiro livro, publicado naquele ano, foi intitulado “Ryūkyū Kenpo: Tōde” (琉球拳法唐手), traduzido como “Método do Punho de Ryukyu: Mão Chinesa”. Na capa, lia-se também “錬膽護身” (Rentan Goshin), que, conforme Filié Sensei e a própria jornada de Mestre Funakoshi, se traduz como “Treinamento para o Condicionamento Físico e Autodefesa”, refletindo o propósito do Karatê como uma técnica (jutsu) para a defesa pessoal e aprimoramento físico e mental.

Capa do livro Ryūkyū Kenpo: Tōde (Rentan Goshin)

Revisão Conceptual: Jutsu, Do e o Primeiro Livro de Funakoshi

Primeiro, a correção fundamental:

  • Jutsu (術): Conforme Mestre Funakoshi, refere-se estritamente à técnica de defesa pessoal, à aplicação prática e eficaz das habilidades para autoproteção. Não é “arte” no sentido de expressão estética ou filosófica, nem “combate marcial” no sentido moderno (esportivo, por exemplo), mas sim um método direto para a sobrevivência e proteção.
  • Do (道): O “Do” é a elevação dessa técnica de defesa pessoal (jutsu) para um “caminho” de desenvolvimento humano, formação do caráter e aprimoramento espiritual, onde a disciplina física se torna um meio para um fim maior. É nesse estágio que a “arte” do Karatê, como um caminho de vida, floresce.

O que o Primeiro Livro de Mestre Funakoshi (Ryūkyū Kenpo: Tōde) Explica sobre o Jutsu?

O livro de 1922, “Ryūkyū Kenpo: Tōde” (琉球拳法唐手), foca primeiramente na introdução das técnicas de Tōde/Karatê como um método de defesa pessoal e aprimoramento físico.

  • Fundamentos Técnicos: Funakoshi detalha as posturas básicas, movimentos fundamentais (socos, chutes, bloqueios), e os katas (sequências formais). Ele os apresenta como exercícios físicos e mentais que desenvolvem o corpo e preparam o praticante para a autoproteção. Inclusive, a decisão de Mestre Funakoshi de sempre iniciar os movimentos do Karatê-Do por uma defesa, presente no kihon e nos katas, demonstra a primazia da autodefesa.
  • Desenvolvimento Físico e Mental: O livro enfatiza os benefícios do Tōde para a saúde, disciplina e fortalecimento do corpo e da mente. A frase na capa “錬膽護身” (Rentan Goshin) – “Treinamento para o Condicionamento Físico e Autodefesa” – encapsula bem esse propósito inicial: o treinamento rigoroso dos movimentos, praticado à exaustão, visa o condicionamento físico essencial para a defesa pessoal e o aprimoramento da técnica. O desenvolvimento espiritual (o “Do”) é atingido através do aprimoramento físico e técnico, e não como um fim isolado.
  • Não Competição: Já nesse estágio inicial, Funakoshi não apresenta o Tōde como um esporte competitivo, mas como uma prática séria para a vida real.
  • Origens e Importância: Ele traça a história do Tōde em Okinawa e sua importância como método de autodefesa para as pessoas comuns.

Em resumo, no seu primeiro livro, Funakoshi apresenta o Tōde/Karatê como um conjunto de técnicas eficazes e um sistema de treinamento físico-mental voltado para a defesa personal e o desenvolvimento integral do indivíduo, não como uma arte de combate esportivo ou uma manifestação artística no sentido performático, mas uma habilidade vital. A “arte” no sentido de “caminho de vida” viria com a evolução para “Karatê-Do”.

Ao chegar ao Japão, Funakoshi buscou transformar o Karatê de uma técnica de defesa pessoal (jutsu) em um caminho de formação do caráter, alinhado aos valores do Bushidô. Todo o esforço de Mestre Funakoshi foi em busca desta transformação. Em um determinado momento, ele incumbiu Egami Shigeru de completar a transição do jutsu para o Do. Essa mudança exigia uma nova visão, que ele chamaria de Karatê-Do, elevando a prática a uma “arte” no sentido de um modo de vida.

Antes da formalização, já em 1930, alunos de Mestre Funakoshi, como Obata Isao e seu filho Yoshitaka, fundaram o Dai Nihon Karate-do Kenkyukai (大日本空手道研究会), também conhecido pela abreviação NKK (Nihon Karate Kai/Kenkyukai), um grupo dedicado à pesquisa e ao aprofundamento do Karatê. Foi a partir dessa iniciativa que, em 1935, alunos reunidos ao redor de Funakoshi formalizaram a Associação Shotokai, dedicada a manter seu ensinamento. Pouco depois, em 1936, construíram o Dojo Shōtō-kan (do japonês: “a casa de Shōtō”, pseudônimo usado por Funakoshi), que se tornou a sede física do Karatê-Do no Japão.


A Evolução Contínua do Karatê-Do de Mestre Funakoshi

Muitos acreditam que Mestre Funakoshi trouxe a arte do Karatê já pronta de Okinawa para o Japão, mas tal ideia é errônea. Ele trouxe os ingredientes necessários para estabelecer seu aprendizado como uma arte, nomeando-a de Karatê-do em 1929.

O Karatê de Mestre Funakoshi de fato mudou ao longo do tempo. Ele e seus auxiliares promoveram constantes mudanças na estrutura do Karatê. Mestre Funakoshi tinha uma ideia muito precisa do que queria em termos de sua arte e assim promoveu diversas pesquisas e modificações que melhor se adequassem ao desenvolvimento do Karatê como arte. Esse processo de evolução foi incessante durante toda a existência do Karatê de Funakoshi.

Existe um erro de interpretação de muitos praticantes ao olharem alguns vídeos de O´Sensei e estabelecerem os mesmos como modelos estáticos. A realidade é que esses vídeos apenas expressam um momento de seu desenvolvimento, já apresentando maior suavidade quando comparados às práticas de Okinawa.

Mestre Egami, ao se lembrar de O´Sensei, disse: “Me parecia que Mestre Funakoshi batia no Makiwara bem suavemente, proferindo palavras que soavam como ‘hoi, hoi’. Naquele tempo eu pensava que ele não estava batendo com força e atribuí isto devido à sua pequena estatura e porque ele já estava com cerca de 60 anos”.

A bem da verdade, na assinatura de O´Sensei “Sho-To” já estava embutida a palavra de ordem, o conceito imaginário da sabedoria de O´Sensei que apontava para a evolução que o Karatê teria que alcançar. Em Sho (松) temos o pinheiro, seu símbolo de dignidade e nobreza, e em To (涛) temos as ondas fortes. O Karatê-do é para ser praticado tão nobremente como o pinheiro e tão forte como as ondas que batem nas rochas.

Motivações para as Mudanças e a Adaptação Acadêmica

Mestre Funakoshi promoveu mudanças por diversos motivos. Seu profundo conhecimento do Budo e a possível inserção do Karatê dentro dessa filosofia foram essenciais. Outro motivo foi o fato de que tudo o que vinha de Okinawa não era muito bem visto pelo Japão da época, e a inserção do Budo se tornou apropriada para dar ao Karatê seu lugar como arte no Japão. Há também o lado do aperfeiçoamento técnico, que foi muito modificado (vide passagens do Kyohan, nas observações de rodapé) bem como a prática do Karatê dentro das escolas japonesas. Por outro lado, o Karatê teve que ser adaptado para a inserção nas escolas e universidades.

A adaptação do Karatê para o ensino nestes estabelecimentos atendia a requisitos acadêmicos específicos e era, portanto, muito controlada para não promover lesões entre os praticantes. Assim, era uma prática leve, visando apenas a atividade de educação física e era “enxugada”. Um aluno ao entrar para a Universidade tinha que escolher uma atividade física para desenvolver ao longo dos anos, e esta não poderia ser modificada. Assim, o Karatê praticado nas Universidades era bem diferente, pois precisava de um corpo de ensino capaz de graduar o aluno durante o período em que estivesse estudando.

Evidentemente, todo o conhecimento completo do Karatê que Mestre Funakoshi tinha não podia ser colocado dentro das Universidades, nem era o local apropriado para se fazer pesquisas, pois os praticantes eram simples alunos. Assim, o Karatê ali praticado era extremamente resumido e tido conceitualmente como sendo “ginástica”. O mesmo acontece hoje em dia dentro das Universidades, pois o que lá se aprende é sempre o mínimo em qualquer área; é no trabalho de campo que se aprende com profundidade. Para se ter uma ideia, Mestre Funakoshi trouxe cerca de 80 Kata de Okinawa, inclusive com práticas de Bo. Tais conhecimentos não foram passados para a esfera universitária. Simplesmente não havia tempo para isto.

A Transmissão do Conhecimento

Podemos dizer que o conhecimento de Mestre Funakoshi sobreviveu. Ele percebeu que tinha um grande problema em termos de transmissão do ensino: o tempo disponível. Então, vendo que não haveria tempo para passar todo o seu conhecimento a todos e desenvolver a arte no sentido por ele vislumbrado, decidiu passar para alguns do seu círculo mais próximo instruções e pesquisas de aprimoramento. Entre eles destacam-se: Takeshi Shimoda (assistente de O´Sensei), Kichinosuke Saigo (antigo aluno), Yoshitaka Funakoshi (Gigo ou Waca Sensei, seu filho), Isao Obata (muito fiel e o mais antigo do clube de Karatê de Keio – 1924), e Shigueru Egami (assistente e sucessor de O´Sensei).


A Divergência de Caminhos: JKA e Shotokai

A Fundação da Japan Karate Association (JKA) e o Papel de Masatoshi Nakayama

Anos mais tarde, em 1949, a Japan Karate Association (JKA) foi fundada por um grupo de alunos seniores de Gichin Funakoshi – muitos deles já parte ou diretamente ligados à Associação Shotokai original –, com o objetivo de promover e expandir o Karatê-Do. Mestre Funakoshi foi reverenciado como chefe honorário desta nova organização.

Shigeru Egami, um dos alunos mais antigos e próximos de Funakoshi, teve participação ativa na fundação da JKA. No entanto, é importante esclarecer que Masatoshi Nakayama não foi um dos fundadores originais da JKA. Ele emergiu como a figura mais proeminente e a força motriz da organização após sua fundação, assumindo o cargo de Instrutor Chefe. Nakayama foi fundamental na padronização das técnicas, na criação do renomado programa de instrutores (kenshusei) e na disseminação global do Shotokan Karatê da JKA.

Embora inicialmente envolvidos, muitos dos fundadores e alunos seniores de Funakoshi, incluindo Egami Sensei, gradualmente se afastaram da direção tomada pela JKA. O principal motivo desse afastamento foi a crescente ênfase da JKA na competição esportiva e na padronização das técnicas para esse fim, o que divergia significativamente da visão de Mestre Funakoshi para o Karatê-Do como um caminho de desenvolvimento integral e autodefesa, e não apenas um esporte.

Após a morte de Funakoshi Gichin em 1957, a Shotokai permaneceu como guardiã do legado. Foi liderada por Egami Shigeru, seu discípulo mais próximo, que deu continuidade ao trabalho com foco no refinamento interno, na fluidez e na busca do movimento natural.

O “estilo” de Karatê-Do “Shotokai” teve seu nascimento nos anos 1960, alguns anos após a morte de Funakoshi Gichin O´Sensei. A alusão a “estilo Shotokai” se dá em virtude de que, antes de falecer, Mestre Funakoshi refundou a Associação Shotokai em 1956, em reação à tendência esportiva da NKK. Esta associação, contudo, já existia desde 1936.

Shigeru Egami Sensei foi o Diretor Técnico da Associação SHOTOKAI cujo Presidente era Hironishi Sensei.

Na associação SHOTOKAI no Japão sempre houveram as duas tendências técnicas, a ortodoxa do Shotokan de Mestre Funakoshi Gichin e a criada pelo seu aluno Egami Sensei que reconsiderou completamente a sua prática para fazer um estilo.

Ambas maneiras técnicas eram conhecidas de O´Sensei e em muito considerava a prática Shotokai evoluída. O Shotokan ortodoxo era para Mestre Funakoshi o ponto de partida, a plataforma pela qual o Karate-jutsu evoluia para o Karate-do. Seu estágio final veio a ser conhecido como a prática ou estilo Shotokai.

Egami Shigeru (1912–1981), palestrante e instrutor de educação física em universidades como Gakushuin, Toho e Chūō, e mestre respeitado, buscou aprimorar o Karatê-Do para além da mera força física e do impacto rígido. Seu treinamento era extremamente austero e impactante, focado em desenvolver a fluidez, a versatilidade do corpo, aliadas a uma grande velocidade e marcialidade. Não era uma prática etérea, mas sim um método exigente que levava os alunos a um desenvolvimento integral, por vezes até o desmaio devido à intensidade técnica. Contudo, seu foco não era a rigidez corporal, mas sim a busca pelo “movimento vital”, inseparável da respiração, energia e presença, visando a integração plena de corpo e mente.

Seus estudos foram reunidos no livro “O Caminho do Karatê:
um caminho para o espírito”
, publicado no Japão em 1975, onde expõe sua visão de uma prática transformadora que não se limita à técnica, mas envolve o ser inteiro.

A Confusão dos Nomes e a Apropriação de Símbolos

Uma fonte histórica de confusão reside na similaridade de nomes:

  • A organização precursora da Shotokai era a Nihon Karate Kenkyukai/Kai (NKK).
  • A Japan Karate Association (JKA) em japonês é Nihon Karate Kyokai (NKK).

Essa semelhança na sigla NKK tem sido apontada por muitos como uma estratégia que, intencional ou não, gerou ambiguidade e permitiu à JKA associar-se mais facilmente ao legado de Gichin Funakoshi.

Além da nomenclatura, a JKA adotou e popularizou diversos símbolos e conceitos associados a Funakoshi e à linhagem Shotokan:

  • O Nome “Shōtō-kan”: O termo “Shōtō-kan” (松濤館), com macron e hífen, refere-se originalmente ao nome do dojo construído em homenagem a Funakoshi por seus alunos (“a casa de Shōtō”, pseudônimo de Mestre Funakoshi). A JKA, no entanto, popularizou e simplificou essa grafia para “Shotokan”, sem macrons e sem hífen, para designar globalmente seu estilo de Karatê. É fundamental destacar que a linhagem Shotokai e o Egami-Ryū não adotam essa simplificação, mantendo a grafia original e correta, conforme evidenciado em publicações como o próprio livro de Mestre Egami.
  • O Tigre (Tora no Maki): O icônico tigre, hoje associado à JKA, foi originalmente uma obra de Kosugi Hoan criada para a capa do livro “Karate-Do Kyohan” de Gichin Funakoshi. A JKA adotou esse emblema, conectando-se visualmente ao “pai do Karatê moderno”.
  • O Dojokun: O código de conduta do dojo (Dojokun) foi estabelecido por Gichin Funakoshi e é um pilar filosófico do Karatê-Do. A JKA o incorporou integralmente em sua prática, embora a Shotokai argumente que a ênfase esportiva da JKA distancia-se do espírito do “Do” implícito no Dojokun.

A linhagem Shotokai busca preservar o “Do” essencial do Karatê-Do, mantendo a prática fora das competições e focando na harmonia, no respeito e na busca de um desenvolvimento integral, tal como Mestre Funakoshi e Mestre Egami vislumbraram.


A Perspectiva de Egami Shigeru sobre o Verdadeiro Karatê‑Do

Em suas próprias palavras, Egami Sensei diferenciava nitidamente o Karatê‑jutsu (a técnica marcial voltada ao combate ou à competição) do Karatê‑Do (o caminho do autoconhecimento e da harmonia). Ele insistia que o verdadeiro praticante deve buscar “unidade com o outro”, em vez de vitória ou supremacia.

“Aquele que quiser trilhar o verdadeiro caminho do Karatê deve buscar não apenas coexistir com seu oponente, mas alcançar a unidade com ele… não se trata de matar, e jamais se deve colocar ênfase em vencer.”

Embora tenha treinado com Yoshitaka (Gigo) Funakoshi durante os anos 1930, Egami não enfatiza em seus escritos a ligação com a Universidade de Takushoku. Sua trajetória se afasta das tradições universitárias e se volta a um Dojo independente, onde desenvolveu uma abordagem mais sensível, fluida e energética, liberta das exigências atléticas e da rigidez institucional.

Essa visão foi preservada pela associação Shotokai e constitui até hoje a base filosófica do Egami‑Ryu. A prática se define pela busca de leveza, harmonia e consciência interior, e não por performance ou confronto.


A Prática Shotokai na Europa e a Gênese do Egami-Ryū

A França foi o berço ocidental do Shotokai. Mestre Schneider perseverou desde o princípio com os ensinos recebidos de Mestre Egami. O Shotokai Egami-Ryu é representação genuína de seus ensinos.

O estilo foi introduzido na França em 1965 pelas instruções manuscritas de Egami Sensei, contidas em uma carta que apresentava as novas formas de prática criadas por ele.

A Introdução do Egami-Ryū e a Carta de Jacques Causon

Para melhor compreender estes momentos iniciais da introdução do estilo de Mestre Egami fora do Japão, existe a carta de Jacques Causon Sensei (aluno de Bassis), que foi o iniciador dos primeiros estágios Shotokai de Avignon a partir de 1965.

A carta de Jacques Causon, escrita em maio de 1999, detalha o evento crucial de 1965 em que Olivier Perroy, encarregado por Egami Sensei, demonstrou as novas formas de prática que haviam sido desenvolvidas a partir dos ensinamentos de Funakoshi O’Sensei. Essa demonstração marcou uma mudança radical de um karatê potente e rápido, mas rígido, para uma forma mais fluida, com ataques penetrantes e movimentos contínuos.

A Escola Shotokai Egami-Ryū® e a Linhagem de Mestre Schneider

Mestre Schneider é um dos últimos Mestres Shotokai existentes no mundo, tendo participado da gênese Shotokai e desempenhado um papel fundamental na expansão desta prática e no fiel ensino de Mestre Egami pelo Ocidente.

Embora o nome “Egamiryu®” nunca tenha sido empregado anteriormente, A. Schneider, como Diretor Técnico e fundador da AKSER, usou esta denominação desde os primórdios, na prática e nos escritos.

A decisão de usar o nome “Egami-Ryū” teve o consentimento da família Egami, que não apresentou qualquer oposição à sua utilização. Filié Sensei acredita que isso se deve ao fato de Mestre Schneider ter sido acolhido como um filho por Egami Sensei, o que demonstra a profunda conexão e confiança entre eles.

Atualmente, o uso da denominação “SHOTOKAI EGAMIRYU®” para a prática é protegido por direitos da AKSER.

Tendo praticado o Shotokai durante várias estadas no Japão, tanto com os universitários como com outros grupos e através dos conselhos de Egami Sensei, o Professor A. Schneider constatou certos desvios dos praticantes do estilo Shotokai criado por Egami Sensei.

Por recomendação de Egami Sensei (com o qual esteve frequentemente no Japão por diversos anos e tendo o mesmo lhe dado a possibilidade de participar de um dos últimos estágios supervisionados), Mestre Schneider foi enviado para os treinos do grupo de Usami Sensei, o qual, na visão de Mestre Egami, refletia sua real criação e tudo o que lhe havia de mais próximo em termos de movimentações e técnicas. Usami Sensei, o assistente mais antigo de Mestre Egami, contribuiu para o aperfeiçoamento da eficácia na técnica de Mestre Schneider.

Os treinamentos e conselhos de Mestre Egami a Mestre Schneider deram-lhe os subsídios para nomear o estilo Shotokai da AKSER de “SHOTOKAI EGAMIRYU®”, uma lembrança sobre seu criador e por distinção de certos grupos que, a partir de suas próprias ideias, assimilaram o pensamento de Mestre Egami de forma diferente. Isto é colocado não como uma crítica, mas como uma constatação.

Não reconhecemos de forma alguma qualquer grupo esportivo como pertencente ao Shotokai de Mestre Egami.


O Essencial “Do” no Karatê-Do

O Karatê-Do Shotokai representa uma linhagem autêntica e profunda, fiel à transição do Karatê de uma técnica de defesa personal (jutsu) para o verdadeiro caminho de formação espiritual e humana (Do), como proposto por Funakoshi Gichin e desenvolvido por Egami Shigeru no Japão do pós-guerra.

Mais do que um estilo, o Shotokai é uma abordagem ética e técnica que permanece fora das competições, priorizando a harmonia, o respeito e a prática com total entrega física e mental.


Chegada ao Brasil

O primeiro contato do Brasil com o Karatê se deu em 1956, com a chegada de Harada Mitsusuke, enviado diretamente do Japão. Pouco tempo depois, já em solo brasileiro, Harada Sensei recebeu por correspondência o certificado de 5º dan, assinado por Funakoshi Gichin e Egami Shigeru, representando a Shotokai.

Apesar de representar a linhagem tradicional, Harada ainda não havia tido contato com a prática mais transformada desenvolvida por Egami em seu dojo pessoal no Japão. Essa vivência só ocorreu mais tarde, já na Europa. No Brasil, a prática integral do Shotokai Egami-Ryū está sendo implantada com fidelidade por Filié Sensei, consolidando uma proposta marcial que une movimento, filosofia e presença.

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