A. Filié Jr.
Presidente da AKSER Brasil

Filié Jr. A. é praticante e instrutor de Karatê-Do Shotokai, sendo um aluno direto e com profunda conexão com William Schneider Sensei, a quem se atribui a continuidade da linhagem de Mestre Egami no Brasil. Sua trajetória dentro do estilo é marcada por fidelidade técnica, ausência de adaptações externas e total enraizamento na proposta original de Egami Shigeru Sensei. Atualmente, ele é o presidente da AKSER Brasil, e sua missão principal é a implantação do Karatê-Do Shotokai Egami-Ryū® no Brasil e em demais países da América do Sul, sempre em estreita colaboração com os ensinamentos transmitidos por Schneider Sensei. Ele também é Representante Oficial da AKSER International e Membro da Comissão Técnica.

Em sua visão, o Karatê Budo se destaca como um instrumento de transformação interna do ser humano para poder lidar com os conflitos da vida.
O Presente e a Conexão Central com Schneider Sensei
No cenário atual do Karatê-Do Shotokai no Brasil e na América do Sul, a atuação de Filié Sensei está intrinsecamente ligada aos ensinamentos e à orientação de William Schneider Sensei. A conexão entre eles é a base para a propagação da linhagem genuína de Mestre Egami, focando na profundidade técnica e filosófica do Budo, em contraste com abordagens desportivas.
Schneider Sensei é a figura central que transmite diretamente o conhecimento adquirido com Mestre Egami, e Filié Sensei, como seu aluno direto e presidente da AKSER Brasil, é o pilar que garante a continuidade e a pureza dessa transmissão no continente. Toda a missão de implantação do Karatê-Do Shotokai Egami-Ryū® no Brasil e nos demais países sul-americanos é conduzida sob a égide e a orientação técnica de Schneider Sensei.
Para entender a profundidade e a relevância dessa conexão, e como ela molda o presente e o futuro do Shotokai, é fundamental reconhecer a liderança e a visão de Schneider Sensei, que são os alicerces da prática de Filié Sensei e de toda a AKSER Brasil. Essa seção serve como uma porta de entrada para a compreensão do impacto atual de suas ações conjuntas, enquanto o restante da biografia detalha a jornada que levou a essa colaboração essencial.
A prática diária, os seminários e a disseminação do Shotokai no Brasil são reflexo direto dessa parceria e da dedicação em manter os princípios originais do Karatê-Do.
Resumo Histórico: Uma Jornada no Karatê-Do Shotokai
Os Primeiros Contatos e o Início da Década de 70
O Karatê na vida de Filié Sensei iniciou-se na década de 70, mais precisamente entre 1971 e 1972, através de amigos israelitas com quem estudava. Naquela época, ele costumava ir à Hebraica (São Paulo) acompanhando-os em seus treinamentos. Na Hebraica, praticava-se o estilo Shorinji-Ryū. Filié teve a oportunidade de estar presente, apenas assistindo, em aulas com o seus implantadores, Yamanoue Yoshito e Okada Yukio (que primariamente no Brasil lecionava Judô). Ele também assistiu à primeira aula dada por Yamanoue Yoshito Sensei (o Sensei mais novo que chegou do Japão e que, infelizmente, faleceu devido a um acidente) na Hebraica. Filié Sensei lembra-se de ter ajudado Yamanoue Yoshito Sensei a pegar o ônibus para sua casa, pois ele tinha dificuldades, recém-chegado do Japão, sem conhecer a cidade e sem falar português. Ele guarda lembranças e profundo respeito por essas distintas pessoas.
Impressionado com o que viu naqueles tempos, Filié quis iniciar os treinos. Contudo, por não ser sócio da Hebraica, buscou outro local e encontrou os treinamentos desenvolvidos no SESC da Dr. Vila Nova (São Paulo) e ali então ingressou. Por solicitação de seu primeiro Sensei, que prefere não ter seu nome divulgado, Filié se refere a ele como Okada Katuo. Podem ser encontradas referências a ele pré-existentes pela Internet em inglês, alemão e espanhol postados por sites Shotokai. Existem muitos praticantes que o têm em sua genealogia, pois são alunos de seus alunos.
O Karatê de Okada Katuo e a Linhagem Direta de Harada Sensei
Okada Katuo foi graduado diretamente por Mestre Harada aqui no Brasil. Uma pequena explicação sobre o Karatê de Okada Katuo é essencial para compreender o plano de fundo histórico. Quando Mestre Harada veio ao Brasil, ainda não havia separações dentro do Shōtō-kan. O Shōtō-kan no Japão, nesta época, era comandado simultaneamente por Mestre Funakoshi e Mestre Egami. Mestre Harada treinou com ambos, e seu Karatê, neste período, era a legítima expressão dos dois Mestres.
Mestre Harada solicitou a Mestre Funakoshi autorização para fundar o Dojo Shōtō-kan em terras brasileiras, ligado ao Japão. Mestre Funakoshi o autorizou a fundar o primeiro Dojo brasileiro Shōtō-kan, porém independente do Japão, pois, de acordo com suas palavras, não queria que o Shōtō-kan no Brasil enfrentasse os mesmos problemas crescentes no Japão. Não obstante este fato, ao receber seu 5° Dan, sua diplomação não constava Shōtō-kan, mas Shotokai, emitida por O´Sensei e Mestre Egami.
Isto, à primeira vista, pode parecer insignificante, mas temos aqui novamente um outro Dojo Shōtō-kan reconhecido pela Shotokai. O primeiro foi o próprio Hombu Dojo. Talvez o mesmo processo tenha ocorrido nos EUA, através de Oshima Sensei, mas isso precisa ser examinado. O fato é que o Shōtō-kan brasileiro desta época, deixado por Harada Sensei, era o Shōtō-kan ortodoxo, mas já com evoluções autorizadas por O´Sensei na pessoa de Mestre Egami, ou seja, Shotokai, embora ainda embrionário. No Japão, a divisão tomou proporções nunca antes vistas. Mestre Funakoshi refundou a Shotokai sob patamares enraizados no Budo, solidificando ainda mais sua visão acerca do Karatê como não-desportivo. No Brasil, os que ficaram como faixas-pretas, tanto quanto Filié Sensei sabe, ficaram estacionados em termos de graduações.
Okada Katuo tornou-se talvez o aluno mais ativo deixado por Harada Sensei e trabalhou incansavelmente na estruturação do Karatê, nomeando-o Shōtō-kan desde a fundação do primeiro Dojo brasileiro. Mas observemos aqui que sua linhagem é bem direta de Mestre Funakoshi e não-desportiva. É importante não confundir com o Shōtō-kan normalmente propagandeado (o esportivo) e nem com posições menos desportivas encontradas algumas vezes. Estamos falando de uma linha direta.

Treinamentos, Competições e a Faixa-Castanha
Os treinamentos no SESC, na época de Filié Sensei, eram realizados nas quadras de basquete, chegando a ter três fileiras contínuas de alunos em toda a sua extensão. Ele praticava intensamente no SESC, bem como nas duas unidades Yamasaki que Okada Katuo ministrava (Vila Mariana e Aeroporto).
Para os amantes do esporte, um momento importante: Mestre Harada demorou muitos anos para retornar ao Brasil após sua partida. O primeiro Sensei de Filié ficou sozinho, mas havia uma pessoa que considerava muito tanto a ele quanto a Mestre Harada: Mestre Shinzato. Mestre Shinzato, por longos anos, foi um grande amigo de seu primeiro Sensei, e talvez em decorrência desta amizade, seu Sensei chegou a levar alguns alunos para competição. Filié Sensei figurou entre eles.
Nessas competições, realizadas em 1975 na cidade de Osasco, não havia divisão de faixas, pesos, etc. Havia as modalidades de Kata e Kumitê. Filié Sensei participou e conquistou o primeiro lugar no Kata, à frente de alguns que hoje detêm alta graduação no mundo do Karatê. No Kumitê, ele passou por cerca de 4 ou 5 lutas, mas não chegou às semifinais, sendo imobilizado na perna direita por um soco na virilha em uma delas. Ele não retornou mais a competir neste tipo de evento. No entanto, rememorando fatos ocorridos aproximadamente em 1976, um amigo lembrou que Filié chegou a participar de outro evento de Kumitê dentro do próprio SESC, onde alcançou o primeiro lugar.
Em 1982, Filié Sensei recebeu a faixa-castanha da Associação Nacional de Karatê, entregue por seu Sensei da época.
A Jornada Solitária e o Retorno às Raízes
Após o retorno de Mestre Harada ao Brasil, Filié Sensei reencontrou o seu primeiro Sensei, mas não permaneceu por muito tempo na sua linha. Isso marcou o início de um período de solidão e busca pessoal, em que ele praticava sozinho, mas nunca abandonou o Karatê. Este período durou até o ano de 2006.
Em 2006, com o incentivo do amigo americano William Schneider Sensei, ele retomou o caminho da linha Egami e Shotokai, tendo agora a orientação direta de Schneider Sensei. Esse retorno representou a volta para a linhagem original, baseada nos ensinamentos do Mestre Egami, preservando sua essência tradicional e filosófica.
Transição e Graduações Oficiais
Filié Sensei oficializou sua graduação 3º Dan e superiores diretamente com Schneider Sensei e O’Sensei, consolidando sua posição dentro da linhagem legítima do Shotokai Egami-Ryū®. Essas graduações representam reconhecimento internacional e garantem a continuidade fiel dos ensinamentos originais.
Além disso, ele participou de cursos, seminários e eventos que reforçaram sua expertise técnica e sua ligação com os mestres da linhagem, tornando-se uma referência no Brasil e na América do Sul para a prática correta do Karatê-Do Shotokai.
Reconhecimento na Mídia
Filié Sensei já foi destaque em diversos meios de comunicação nacionais, reconhecido por sua contribuição para a cultura e a prática do Karatê no Brasil. Isso reforça sua imagem como um dos principais difusores do Shotokai no país.
Linha Técnica de Transmissão
A transmissão técnica de Filié Sensei é ininterrupta e diretamente ligada a Mestre Egami, por meio de Schneider Sensei. Isso garante a autenticidade do Karatê-Do Shotokai Egami-Ryū® praticado sob sua tutela, afastando-se de desvios e adaptações não autorizadas.
Keizu (Diagrama de Linhagem)

Este diagrama (Keizu) representa a linhagem oficial e direta de Filié Sensei dentro do Karatê-Do Shotokai Egami-Ryū®, destacando a conexão com seus mestres e os principais nomes da linhagem.
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